Um ator que representava Judas durante uma encenação da ‘Paixão de Cristo’ em Itararé (SP), se acidentou durante o espetáculo na noite desta sexta-feira (6).
De acordo com informações da Guarda Municipal de Itararé, o ator Tiago Klimeck, que participava do teatro na Praça da Matriz, teria se confundido com os nós da corda do cenário e se enforcou acidentalmente.
Durante a encenação, o ator subia em uma pedra de cenário e tinha uma corda colocada em volta do pescoço para, em seguida, simular o enforcamento de Judas (veja foto ao lado).
A encenação continuou, pois os integrantes da peça não perceberam que Tiago estava insconsciente.
Segundo conta um dos integrantes da peça, Thiago ficou desacordado por cerca de quatro minutos, pois fazia parte da atuação ele se fingir de morto.
O ator foi levado inconsciente pelos socorristas do SAMU para a Santa Casa da cidade, onde permaneceu internado na UTI até a manhã deste sábado (7), quando foi transferido em estado grave para um hospital em Itapeva (SP).
Segundo informações da assessoria de imprensa do hospital, Tiago passa por exames específicos, como tomografia, e acompanhamento de neurologistas, mas o estado de saúde dele ainda é grave.
O próximo boletim médico será divulgado após as 16h.
A diretora da peça lamentou o que chamou de “fatalidade” e disse que todos os procedimentos de segurança foram cumpridos.
Já a Prefeitura de Itararé informou que dava apoio com a estrutura da peça, mas que não tinha ligação direta com o evento.
Fonte: G1.globo.com







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Morte & Vida
Roosevelt Holanda
Todo mundo tem relógio, mas ninguém tem tempo. É o tempo que nos tem. Eu preparava um texto sobre o Chico Anysio, quando soube da morte, hoje de manhã cedo, da cantora Ademilde Fonseca. Chico nasceu no Ceará, Ademilde, no Rio Grande do Norte. Se um era o rei do humor televisivo; a outra era a rainha do chorinho. Ambos fizeram sucesso em todo o Brasil a partir do sucesso que alcançaram no Rio de Janeiro. Mais que o Brasil, o Rio chora, porque também hoje o ossudo e oblongo dedo da morte alcançou mais um. Desta vez foi o carioca Millôr Fernandes, nascido no Rio de Janeiro há 87 anos.
A perda do Millôr, tal como a do Chico, é a perda de um gênio. E a perda com a morte do Millôr é enorme para o jornalismo, para o teatro, para a literatura, e para a cultura de um modo geral, porque o Millôr fazia tudo. Além de escritor, Millôr também foi desenhista, cartunista, jornalista e dramaturgo de destaque, além de grande tradutor.
Millôr ficou órfão de pai um ano depois que nasceu. E aos dez anos perdeu a mãe. Com pouca idade, viu sua família separar-se e cada irmão teve de ir morar com um parente. “Morto meu pai, nessa idade a orfandade passa impressentida. Mas a família — mãe e quatro filhos — cai de nível imediatamente”, escreveu Millôr na biografia apresentada em seu site oficial. “Morta minha mãe, sozinho no mundo tive a sensação da injustiça da vida e concluí que Deus em absoluto não existia. Mas o sentimento foi de paz, que durou para sempre, com relação à religião: a paz da descrença”, acrescentou o maior iconoclasta brasileiro dos tempos modernos.
Aos 14 anos, Millôr entrou na carreira jornalística e aos 19, na revista “O Cruzeiro”, que viu em seis anos sua tiragem subir de 11 mil para 750 mil exemplares, tornando-se uma grande influência na formação da opinião pública no Brasil. Millôr colaborou em “O Pasquim”, publicação de forte oposição ao regime militar. Traduziu várias peças de Shakespeare. Trabalhou em jornais como O Globo e O Estado de S. Paulo, além de longos anos na revista Veja, onde fomos colegas.
Millôr era também um grande pensador de agudo espírito crítico. Alguns de seus pensamentos:
“Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos bem.”
“De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha que a abstinência.”
“Democracia é quando eu mando em você; ditadura é quando você manda em mim.”
“Inúmeros artistas contemporâneos não são artistas e, pensando bem, nem são contemporâneos.”
“Jamais diga uma mentira que não possa provar.”
“Não devemos resistir às tentações: elas podem não voltar.”
“Ninguém sabe o que você ouve, mas todo mundo sabe muito bem o que você fala.”
“O cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde.”
“O pior casamento é o que dá certo.”
“Ontem hoje / E amanhã / O homem o cabelo parte / Parte o cabelo com arte / Até que o cabelo parte.”
“Quem mata o tempo não é assassino, mas um suicida.”
“Aproveite. Roube ainda hoje! Amanhã pode ser ilegal.”
Millôr
RIO – A cantora Ademilde Fonseca, a “Rainha do Chorinho”, morreu no final da noite desta terça-feira. Ademilde tinha 91 anos, e segundo sua família, sofreu um mal súbito. A cantora faleceu em sua casa, na Lagoa. Sua família informou que Ademilde sofria do coração, mas que enfrentava uma boa fase. No último final de semana ela fez shows em Porto Alegre e nesta terça-feira gravou dois programas de televisão. A família informou que o enterro será nesta quarta no Cemitério São João Batista, em Botafogo, às 17h.
Ademilde nasceu em Pirituba, no município de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte. Suas interpretações a consagraram como a maior intérprete do choro. Trabalhou por mais de dez anos na extinta TV Tupi. Seus seis discos venderam mais de meio milhão de cópias. Ela ainda atuou muitos anos nas rádios Tupi e Nacional. Além de fazer sucesso no Brasil, regravou grandes sucessos internacionais e se apresentou em outros países. Ela é considerada a criadora do choro cantado e também foi a primeira cantora nordestina a encantar o país com esse gênero.