A disputa pelo voto nas eleições de 2026 no Rio Grande do Norte deverá ser acompanhada por outra batalha, desta vez nos tribunais. O advogado eleitoral Vitor Hugo prevê uma campanha fortemente judicializada e aponta as pesquisas eleitorais, o uso da inteligência artificial e os pedidos de direito de resposta entre os principais temas capazes de provocar embates entre candidatos ao longo da corrida eleitoral.
“Eu acredito que teremos uma campanha bastante judicializada”, afirmou Vitor Hugo durante entrevista ao Repórter 98 desta segunda-feira (17). O advogado lembrou que disputas eleitorais podem se prolongar muito além do período de campanha e citou ações referentes às eleições municipais de 2024 que ainda tramitam na primeira instância.
A tendência, segundo ele, é que os conflitos aumentem a partir do início da propaganda eleitoral gratuita, em 28 de agosto.
“Eu acredito mais ainda pela questão dos direitos de resposta, que vai começar quando se iniciar o programa eleitoral gratuito, dia 28 de agosto. É quando a gente vai ver isso de forma mais exacerbada”, avaliou.
Inteligência artificial será desafio para a Justiça Eleitoral
Outro desafio apontado pelo advogado está no avanço da inteligência artificial nas campanhas. Vitor Hugo destacou que o uso da tecnologia em peças eleitorais deve ser informado de maneira clara ao eleitor e avaliou que a Justiça Eleitoral terá de enfrentar situações cada vez mais complexas envolvendo imagens, vídeos e vozes produzidos artificialmente.
“A Justiça Eleitoral vai enfrentar um grande problema, uma grande questão, que é a deepfake, é a inteligência artificial”, afirmou.
Segundo ele, o desafio não estará apenas na existência dos conteúdos, mas também na capacidade de identificar rapidamente manipulações que podem circular em grande escala pelas redes sociais e aplicativos de mensagens.
“Temos que ter muito cuidado com o uso de vozes. Como é que a Justiça Eleitoral vai combater? Como é que ela vai conseguir aferir que aquela voz é da pessoa ou não?”, questionou.
