Com um dos litorais mais favoráveis do país para geração de energia dos ventos em alto-mar, o Rio Grande do Norte busca ocupar posição estratégica em um mercado que ainda depende de regulamentação para sair do papel no Brasil. O estado concentra hoje algumas das iniciativas mais avançadas do setor, incluindo um projeto-piloto em Areia Branca voltado ao teste de tecnologias para parques eólicos offshore.
O avanço da atividade depende da regulamentação definitiva do marco legal das eólicas offshore, sancionado em janeiro de 2025 por meio da Lei 15.097. Em abril deste ano, o Conselho Nacional de Política Energética publicou as diretrizes para regulamentação do setor. O próximo passo será a edição do decreto que estabelecerá as regras efetivas para cessão das áreas marítimas e implantação dos empreendimentos.
Sem essa regulamentação, as empresas ainda não podem iniciar oficialmente os estudos de viabilidade nas áreas do mar destinadas aos projetos. A partir dessa etapa, o processo até a entrada em operação comercial das usinas pode levar cerca de dez anos.
O Banco Mundial estima que o Brasil tenha potencial para gerar até 1,2 terawatt de energia eólica offshore ao longo da costa e criar cerca de 516 mil empregos diretos até 2050. O Ibama já contabiliza 59 manifestações de interesse para implantação de parques marítimos no país.
No Rio Grande do Norte, a iniciativa mais avançada é um projeto-piloto de pesquisa, desenvolvimento e inovação conduzido pelo Senai-RN em parceria com as empresas Esteyco e Dois A Engenharia. O empreendimento será instalado no litoral de Areia Branca e tem como objetivo validar tecnologias adaptadas às condições do mar brasileiro antes da implantação de parques comerciais em larga escala.
O projeto recebeu licença prévia do Ibama em junho do ano passado, autorizando o avanço dos estudos ambientais e técnicos. Em novembro de 2025, foi lançado edital para atrair novos parceiros interessados em financiar a fase experimental. A previsão é que a operação comece no segundo semestre de 2028.