O candidato, já foi dito mil vezes, é como noivo: acredita que tudo dará certo. Nem por isso, pela força da oralidade dos falares populares, não é líquida e certa a vitória do ex-prefeito Allyson Bezerra para subir a rampa da governadoria. O primeiro desafio a vencer é perceber que há uma diferença entre a novidade e o novo. Mesmo bem avaliado pelo eleitorado que governou ao longo de seis anos, eleito e reeleito que foi e sempre com as mais amplas e vantajosas maiorias.
Ao desmontar a estrutura do grupo Rosado exaurido, venceu o vício de uma oligarquia de meio século que não soube ser uma escola capaz de formar quadros além da própria família, até cair na própria exaustão. E foi esse o sinal que o muito jovem engenheiro soube perceber, depois de conquistar uma cadeira na Assembleia e se eleger prefeito de Mossoró duas vezes. Ali, antes de qualquer outro fato de grande relevância, pesou o desejo de mudança que a tradição subestimou.
Não se pode negar, a menos que os antolhos tapem a visão, que sua imagem de candidato continua bem avaliada, mas, agora, os atritos serão outros, mais fortes e bem menos controláveis do que foram na luta localizada, preponderantemente, em Mossoró. Serão novos os condimentos e outros os desafios que vão temperar sua campanha majoritária ao governo. O jogo de forças vai além dos pesos e contrapesos de uma campanha municipal e contra aquela oligarquia exaurida.
O quadro põe em relevo, mais uma vez, o maniqueísmo montado nos polos do bem e do mal e sua candidatura, em que pesem as equidistâncias do bolsonarismo e do lulismo, não significa que será mais fácil manter o grande espaço que hoje ostenta. As pesquisas mostram que só bastou o nome de um Bolsonaro, de Flávio, o filho legítimo do bolsonarismo, para manter a força de uma polarização que já existia, mas que teria descido pelo ralo com a candidatura de Tarcísio de Freitas.
O seu grande desafio está na formulação de um marketing que chegue forte e persuasivo no campo do imaginário, sob o risco de assistir que a força do lulismo faça do candidato Cadu Xavier, do PT, o papel do outro polo.
De Vicente Serejo