Macambira: o legado de João Antônio contra o esquecimento


Ele era alto, magro, esguio e muito tímido. Assim, definem os amigos que conheceram o artista João Antônio, que saiu de Currais Novos, nos anos 1980, ainda rapazote, para estudar em Natal, primeiro, cursando Edificações na Escola Técnica (atual IFRN) e, depois, Educação Artística no atual Departamento de Artes da UFRN. Sua aparência lembrava muito o personagem de Miguel de Cervantes, Dom Quixote de La Mancha. Mas, “Joãozinho”, como assim o chamam os amigos, não era só parecido com o fidalgo cavaleiro de Miguel Cervantes, escrito em 1605.

Primeiro, ele tinha como sua amada “Dulcineia”, a Arte, e fez dela a razão de sua existência. Fosse nos quadros que pintava, na construção do seu Espaço Avoante de Cultura, ensinando arte aos seus alunos no Caic ou saindo do seu reflexivo silêncio do dia a dia para causar ebulição nas ideias performáticas que apresentava ao público. Nem mesmo uma doença óssea crônica que forçou uma aposentadoria precoce e seu retorno à sua cidade natal foi o suficiente para deixá-lo quieto. Muito pelo contrário, quem o conheceu, depõe que ele estava sempre criando algo. Falecido em 2022, em decorrência de uma virose e de complicações pela própria condição de saúde, se vivo estivesse, teria 63 anos. Joao Antônio respirava arte e, agora, por decisão de um grupo de amigos como Lenilton Teixeira, Rachel Lúcio e Pedro Queiroga, dentre vários outros artistas, recebe a homenagem por meio da exposição Macambira – O Legado de João Antônio, cuja abertura será no próximo sábado, 25 de julho, a partir das 9h, na Pinacoteca do Estado.

Na ocasião, será exibido um mini-documentário, editado pelo artista Luís Gadelha, no qual diversos alunos, amigos, e artistas que o tiveram como mentor e inspiração falarão sobre a relação que tinham com esse inesquecível artista potiguar. A mostra contará com 20 quadros expostos – das dezenas de trabalhos deixados por ele – todos à venda, por meio de reprodução técnica, com poucos exemplares de cada uma, prática utilizada pelos artistas, com o intuito de manter a autenticidade da obra, mas também de torná-la acessível aos interessados.

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