RN lidera alta de casos de HIV no Brasil após a pandemia

O Rio Grande do Norte foi o estado brasileiro que registrou o maior crescimento proporcional de diagnósticos de infecção pelo HIV no período posterior à pandemia de Covid-19. Entre 2020 e 2024, as notificações aumentaram 56,3%, quase três vezes acima da média nacional, que ficou em 19%. Os dados fazem parte do Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde. Embora o aumento das notificações esteja relacionado, em parte, à retomada dos serviços de saúde e à ampliação da testagem após os anos mais críticos da pandemia, o cenário também evidencia que o estado ainda enfrenta importantes desafios para conter a transmissão do vírus e garantir o diagnóstico precoce.

Outro dado que chama atenção é a situação de Natal. A capital potiguar aparece na quarta posição entre as capitais brasileiras com maior taxa de detecção de HIV em 2024, com 46,9 casos por 100 mil habitantes. Apenas Florianópolis (49,4), Manaus (49,2) e Boa Vista (47,6) apresentaram índices superiores.

Ao todo, entre 1980 e setembro de 2025, o Rio Grande do Norte acumulou 18.664 pessoas vivendo com HIV ou aids, segundo o novo método de consolidação das bases nacionais utilizado pelo Ministério da Saúde. A atualização metodológica reúne informações dos sistemas de notificação, exames laboratoriais, medicamentos e mortalidade, permitindo uma estimativa mais precisa da dimensão da epidemia.

Para o infectologista Bruno Matheus, é preciso interpretar os números com cautela. Segundo ele, parte do aumento pode estar relacionada à ampliação da testagem e ao aperfeiçoamento da vigilância epidemiológica, mas isso não elimina a necessidade de fortalecer as ações de prevenção.

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