“Mossoró tem uma ordem de compra de quatrocentos mil. Só que nós temos que pagar cem mil a Allyson.”

A afirmação é de Oseas Monthalggan, sócio da empresa de medicamentos Dismed, apontada como pivô de um esquema de fraudes milionárias na área da Saúde em municípios do Rio Grande do Norte. Segundo a Polícia Federal, a fala faz referência ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), que foi alvo da Operação Mederi nesta terça-feira, 27, em investigação que apura pagamento de propinas e fraude em licitações no município.

A PF detalhou o esquema de propinas a partir da captação de diálogos de empresários. Um deles revela a ‘matemática de Mossoró’.

“Olhe, Mossoró, eu estudando aqui. Como é a matemática de Mossoró. Tem uma ordem de compra de quatrocentos mil. Desses quatrocentos, ele entrega duzentos. Tudo a preço de custo! Dos duzentos ele vai e pega trinta por cento, sessenta R$ 60.000,00, então aqui ele comeu R$ 60.000,00! Fica R$ 140.000,00) pra ele entregar cem por cento. Dos cento e quarenta ele R$ 70.000,00. Setenta com sessenta é meu, R$ 130.000,00. Só que dos cento e trinta nós temos que pagar cem mil R$ 100.000,00 a Allyson e a Fátima, que é dez por cento de Fátima e quinze por cento de Allyson. Só ficou trinta mil R$ 30.000,00 pra a empresa!”, disse Oseas Monthalggan, em maio de 2025, sobre a ‘matemática’ do município.

Para os investigadores, o prefeito de Mossoró e seu vice, Marcos Bezerra (PSD), operavam “o topo do esquema”, além de receber “propina em percentuais definidos sobre os contratos” com a Dismed.

“Em relação a Allyson e Marcos, há referências nominais específicas nas conversas indicando recebimento de valores“, diz a Polícia Federal.

Para a PF, a referência ao pagamento de 15% em favor do prefeito de Mossoró também aparece em outra escuta ambiental nas dependências da Dismed, quando o empresário Oseas discute como seria feita a divisão de valores.

“O contexto geral destas conversas parece deixar claro que “o homem” ali referido é Allyson, prefeito de Mossoró, sendo esta uma forma de identificação indireta”., conclui a PF na investigação.

Com informações de Fausto Macedo/O Estadão.

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