Em meio aos prejuízos causados pelos cortes na geração de energia renovável no Nordeste, o Rio Grande do Norte deu um passo relevante na expansão do setor eólico. O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) concedeu licenças prévias (LPs) para novos empreendimentos do projeto Alto dos Ventos, autorizando a instalação de 68 aerogeradores, com 476 MW de potência instalada em Macau, no litoral norte do estado.
As LPs representam uma etapa fundamental no processo regulatório, abrindo caminho para a obtenção da outorga de geração junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A agência, inclusive, já registrou o recebimento do requerimento de outorga (DRO) para um conjunto mais amplo de parques do complexo Alto dos Ventos, envolvendo as eólicas 1A a 1F, 2A a 2D, 3A e 3B, 4A a 4C e 5A a 5F, que somam 903 MW de potência instalada.
Apesar do avanço, o projeto ainda precisa superar outras etapas decisivas, como a apresentação e aprovação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima), a obtenção da Licença de Instalação (LI), a garantia de acesso ao sistema de transmissão e a confirmação da viabilidade econômica hoje pressionada pelos chamados curtailments, que têm impedido o escoamento de parte da energia produzida no estado.
O complexo é desenvolvido pela Alto dos Ventos Energia Renovável Ltda, ligada à fabricante alemã Nordex e à espanhola Acciona, e integra uma estratégia mais ampla que inclui a implantação de um Complexo Industrial para produção de hidrogênio e amônia verdes no RN. O projeto prevê investimentos estimados em R$ 13 bilhões e capacidade de produção de até 1 gigawatt, utilizando uma matriz composta por 70% de energia eólica e 30% de energia solar.
A iniciativa está diretamente associada à consolidação do litoral norte potiguar como polo da transição energética, mas depende da evolução de projetos estruturantes, como o Porto-Indústria Verde, planejado pelo Governo do Estado para viabilizar a logística de exportação.
